As férias chegaram. Maravilha! Aquela praia que ficou em meu pensamento nos últimos meses ia se materializar. Pensava: “estamos no inverno, mas e daí? Mineiro não liga para detalhes de frio; e depois, é época de seca. É quase certeza de sol todo dia...”
Seria “se” um fenômeno atípico não trouxesse uma massa de ar polar, que além de frio causou chuva que não acabava mais no litoral sul e sudeste. Os dias ensolarados na praia se traduziram em horas e horas no apartamento aguardando o sol raiar – ele não veio.
Recorrendo a um dos programas típicos para dias chuvosos liguei a velha e tediosa TV. Realmente a programação de férias é para quem não tem opção, só a chuva para fazer ver aquilo. Mas o pior estava por vir: em todos os canais, durante quase todo o tempo só se ouvia noticias de um futuro ex-goleiro, seus comparsas e um crime típico de filme de terror. Aquilo foi demais. O pior que para onde se apertava no controle remoto, só se via aquilo. Recusei-me a ser mais um no Ibope dessa notícia.
Foi então que propus um desafio: pensar somente em coisas boas (é claro, com a TV desligada), e comecei a brincadeira. Quantas passagens nem lembrava mais... Das travessuras de menino aos anos de escola. Com certeza, a simplicidade é amiga da felicidade.
Lembrei-me de um tempo em que as crianças podiam ficar nas ruas sem preocupar-se com grandes perigos. A vizinhança toda se interagia e os meninos corriam para brincar de pique, se esconder atrás do poste e ainda achar que eram invisíveis. Subia nas árvores, pegava frutas no quintal do outro e dava risada quando a dona Maria apontava com a vassoura.
Naquela mesma época brincava de bete, queimada e rolimã. Fazíamos nossos tacos de cabos de vassouras; a queimada era na rua mesmo, e o rolimã uma aventura: descer a ladeira, manter o equilíbrio e evitar esfolar-se.
Adorava assistir desenho animado, passear de bicicleta na praça, juntar garrafas e metal para vendê-los no ferro velho. De posse de uns trocados corria na venda para comprar bala chita, caramelo ou chiclete. Essas “bobeiras”, como diria minha mãe, não eram tão fartas como hoje. Acho que fazíamos de seu consumo uma solenidade: maçã era raridade, iogurte um luxo de uma vez ao mês. Gelatina, cachorro quente e refrigerante destinados para ocasiões como almoço de domingo ou festa de aniversário.
Reconheço que fui uma criança feliz e que mesmo sem possuir vídeo game, bicicleta da moda ou chuteira, contei com o amor e a presença da minha família e isso é tudo. Hoje, por diversas vezes me esqueço das origens e me pego encabulado por não possuir isso ou aquilo, sendo que o mais importante não está no ter.
Apesar de não curtir o sol na praia, pois ele não veio, visitar a família, sair com os amigos e viajar fizeram dessas férias especiais. Estar rodeado das pessoas que se ama e compartilhar gargalhadas, prosas e causos; levar um fora da gata da festa, mas roubar um beijo e ser correspondido de outra; trocar olhares; abraçar aquele que não se via há muito tempo; sonhar... Desligar a TV me fez ligar outra percepção. Precisamos de muito pouco para estar em paz e sorrir.
Seria “se” um fenômeno atípico não trouxesse uma massa de ar polar, que além de frio causou chuva que não acabava mais no litoral sul e sudeste. Os dias ensolarados na praia se traduziram em horas e horas no apartamento aguardando o sol raiar – ele não veio.
Recorrendo a um dos programas típicos para dias chuvosos liguei a velha e tediosa TV. Realmente a programação de férias é para quem não tem opção, só a chuva para fazer ver aquilo. Mas o pior estava por vir: em todos os canais, durante quase todo o tempo só se ouvia noticias de um futuro ex-goleiro, seus comparsas e um crime típico de filme de terror. Aquilo foi demais. O pior que para onde se apertava no controle remoto, só se via aquilo. Recusei-me a ser mais um no Ibope dessa notícia.
Foi então que propus um desafio: pensar somente em coisas boas (é claro, com a TV desligada), e comecei a brincadeira. Quantas passagens nem lembrava mais... Das travessuras de menino aos anos de escola. Com certeza, a simplicidade é amiga da felicidade.
Lembrei-me de um tempo em que as crianças podiam ficar nas ruas sem preocupar-se com grandes perigos. A vizinhança toda se interagia e os meninos corriam para brincar de pique, se esconder atrás do poste e ainda achar que eram invisíveis. Subia nas árvores, pegava frutas no quintal do outro e dava risada quando a dona Maria apontava com a vassoura.
Naquela mesma época brincava de bete, queimada e rolimã. Fazíamos nossos tacos de cabos de vassouras; a queimada era na rua mesmo, e o rolimã uma aventura: descer a ladeira, manter o equilíbrio e evitar esfolar-se.
Adorava assistir desenho animado, passear de bicicleta na praça, juntar garrafas e metal para vendê-los no ferro velho. De posse de uns trocados corria na venda para comprar bala chita, caramelo ou chiclete. Essas “bobeiras”, como diria minha mãe, não eram tão fartas como hoje. Acho que fazíamos de seu consumo uma solenidade: maçã era raridade, iogurte um luxo de uma vez ao mês. Gelatina, cachorro quente e refrigerante destinados para ocasiões como almoço de domingo ou festa de aniversário.
Reconheço que fui uma criança feliz e que mesmo sem possuir vídeo game, bicicleta da moda ou chuteira, contei com o amor e a presença da minha família e isso é tudo. Hoje, por diversas vezes me esqueço das origens e me pego encabulado por não possuir isso ou aquilo, sendo que o mais importante não está no ter.
Apesar de não curtir o sol na praia, pois ele não veio, visitar a família, sair com os amigos e viajar fizeram dessas férias especiais. Estar rodeado das pessoas que se ama e compartilhar gargalhadas, prosas e causos; levar um fora da gata da festa, mas roubar um beijo e ser correspondido de outra; trocar olhares; abraçar aquele que não se via há muito tempo; sonhar... Desligar a TV me fez ligar outra percepção. Precisamos de muito pouco para estar em paz e sorrir.
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