sábado, 14 de agosto de 2010

A grande jogada de 2014


A Copa na África terminou. Como primeiro país do continente a sediar um mundial a África do Sul surpreendeu com seus estádios monumentais e a boa receptividade dos anfitriões. Os bilhões de dólares investidos para melhor receber os turistas, de quebra estão a beneficiar a população do país que obteve a melhoria de alguns de seus equipamentos públicos. E para 2014 no Brasil, o que podemos esperar?
Não são apenas estádios gigantescos de arquitetura pós-moderna que fazem um evento deste porte. Há que se pensar em um conjunto de melhorias que foram empenhadas em nossa candidatura para sediar o mundial. Afinal de contas, a copa não é apenas para os brasileiros. Receberemos turistas de todo o mundo e nos tornaremos uma verdadeira vitrine, numa rara oportunidade de consolidar o país como um importante destino turístico.
Talvez aí encontra-se o maior legado de uma copa. Para se ter uma idéia, segundo a Organização Mundial de Turismo, o Brasil ocupa a 36° posição no ranking de destinos turísticos, recebendo pouco mais de 5 milhões de visitantes. Só os Estados Unidos tem receitas equivalentes a mais de 110 bilhões de dólares, tendo um fluxo de turistas dez vezes maior que o verificado em território nacional.
Sim, possuímos belezas naturais únicas, e um povo rico em manifestações culturais. Entre os viajantes estrangeiros a hospitalidade brasileira é uma qualidade intrínseca e inerente ao seu povo. O desejo de estabelecer intimidade seria, na visão de Sérgio Buarque de Holanda, uma das formas como se expressariam a chamada - cordialidade brasileira. Entretanto, somos amadores em se tratando de indústria do turismo.
A preocupação do governo em ampliar a infra-estrutura nos transportes não é vã. Tantos os aeroportos quanto a sistema de transporte urbano nas grandes cidades são ineficientes. O quadro estabelecido hoje é resultado de políticas que beneficiaram muito as distribuidoras de combustíveis e montadoras de carros, em detrimento a investimentos nos transportes públicos e de massa. Assistimos ao desmonte de nossa antiga rede ferroviária e ao descaso das autoridades para com nossas estradas, sobrecarregadas de caminhões, focos de acidentes.
Temos ainda problemas como a falta de segurança pública. Fomos tomados por uma onda de violência, em que assaltos nas ruas tornaram-se freqüentes, banalizando a vida humana por um simples relógio ou par de calçado. Soma-se o tráfico de entorpecentes que domina territórios onde o Estado não chega, imperando uma terceira ordem.
Há falta de moradia digna, sem infra-estrutura de água tratada, esgoto e asfalto para grande parte da população, que é vítima também da especulação imobiliária. Esses problemas são imensos desafios para os governos e que não são solucionáveis em apenas quatro anos.
Mas é preciso fazer algo. Muito mais que transformações físicas, sediar um mundial desperta um sentimento singular: de querer mostrar o melhor. E é pensando nesse melhor, que devemos vislumbrar mudanças não apenas nas cidades sedes dos jogos. Teremos uma rara oportunidade de alavancar o turismo nacional. E Paracatu pode se beneficiar disso.
Estamos a apenas 200 quilômetros de Brasília, uma das capitais dos jogos. Os turistas virão apreciar o futebol, mas também conhecer a região. E certamente, o noroeste mineiro guarda belas paisagens, molduradas pelas chapadas e serras de flora e fauna singulares. Inúmeras cachoeiras, uma excelente culinária, além de rico patrimônio arquitetônico e cultural. Isso nos faz pensar no quanto precisamos trabalhar para receber esses turistas. Daí começamos a pensar que cidade queremos mostrar?
Se a copa fosse hoje, o turista que aqui viesse se depararia uma cidade envolta a fumaça e fuligem das queimadas nos terrenos baldios. Ruas empoeiradas pela falta de passeios, que também são um transtorno para os pedestres. Pontes estreitas e trânsito similar ao de cidade grande. Sem dizer que as belezas naturais, ao redor, não encontram logística e infra-estrutura favoráveis.
Há muito a ser feito. Mas não faltam bons exemplos de cidades pequenas que se consolidaram como centros turísticos. No Estado de Goiás, por exemplo, tem-se Pirinópolis e Alto Paraíso, que em comum compartilham as belezas do cerrado, recebem pessoas do Brasil e do exterior.
O governo federal, por meio da EMBRATUR, está desenvolvendo várias ações de qualificação, promoção, planejamento e gestão voltadas para a copa e também para as olimpíadas de 2016. A chance está a nossa frente, não podemos deixar passar. Arregaçar as mangas e mãos a obra é nosso lema, afinal, 2014 está chegando.

Nenhum comentário: