“Que pode fazer um só indivíduo, de efeito na história: pode realizar alguma coisa importante com sua maneira de viver? Pode indubitavelmente. Vós e eu não podemos, é verdade, sustar as guerras imediatas ou criar uma instantânea compreensão entre as nações; mas pelo menos podemos suscitar no mundo de nossas relações diárias, uma básica e efetiva transformação”.
Krishnamurti, Educação e significado da vida, p.53
Houve um tempo em que os homens que aqui habitavam encontravam-se em perfeito equilíbrio com a natureza. Eram parte integrante do meio e comungavam, com Mãe tão generosa, grande abundância de víveres e sorte de abrigo seguro. O sagrado e o lúdico estavam presentes em todos os elementos do espaço. Sua devoção era ofertada ao grandioso astro que aquece os dias, a serena luz que ilumina as noites, a água pura que cai do firmamento e jorra do chão o fazendo fecundo.
Mas um dia, espaço e tempo foram revolucionados. Esta terra foi varrida de tudo aquilo que um dia foi... A natureza não mais nos atendia e precisávamos transformá-la em nossa serva. Precisávamos dominá-la, subjugá-la, visto nossa eminente “superioridade”... A mente humana tornou-se tão sofisticada e ao mesmo tempo tão complexa que possivelmente se perdeu. Comporta agora frustrações, que em síntese questionam o sentido que nossa existência tomou, diante uma realidade essencialmente assustadora, como a que se desenha dia após dia. Semelhante a peças de uma monstruosa máquina, assumimos papéis vazios em uma sociedade que se auto-intitula moderna e capitalista. A luta por alimento e abrigo foi potencializada e nossas necessidades precisaram se expandir em quantidade e qualidade. Devotamos nossa vida ao capital.
A Natureza nos dá a possibilidade de produzir, vender, crescer, gerar riqueza, renda, emprego, etc. Mas para isso escolhemos escravizá-la. Pagamos um alto preço; em cem mil anos de humanidade, nunca se explorou tanto os recursos naturais como se tem feito nos últimos duzentos anos. Onde está a parada final desta engripada máquina?
A cidade em que vivemos representa apenas um ponto matemático dentro de um sistema autodestrutivo. Uma nova revolução, capaz de transformar as estruturas e conduzir a humanidade rumo à outra via nem chega a constituir-se utopia, pois não conseguimos vislumbrar outras possibilidades. Nossa limitação nos condena a um futuro incerto. É prudente cultivar a esperança e refletir nas palavras de Krishnamurti. Dentro de nossas possibilidades, instituir pequenas transformações que possam em conjunto, significar a mudança nos costumes e hábitos, voltados à manutenção da vida.
No Brasil, possuímos uma legislação ambiental avançada, que precisa ser cumprida em sua íntegra. Fala-se muito em desenvolvimento auto-sustentável, a cada dia novas técnicas e práticas conservacionistas surgem com o intuito de se reduzir os impactos causados pelas ações antrópicas*. Estamos mais do que na hora de arregaçar as mangas e aplicar tantos conhecimentos acumulados. O crescimento urbano descontrolado, a destruição e poluição dos mananciais, o lixo, a monocultura, a mineração, o desmatamento são realidades cada vez mais presentes em Paracatu, no nosso pequeno universo de relações. Devemos lutar para fazer a diferença!
* Toda modificação do ambiente causada pela ação do homem.
P.S. : No dia 5 de junho comemora-se o Dia Mundial do Meio Ambiente. É neste período que se configura a Semana do Meio Ambiente.
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