quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Jardinagem está na moda





É famosa a obsessão dos ingleses pela jardinagem. Essa arte é inclusive tida por muitos como uma instituição, por lá. É comum associarmos as paisagens ao redor de Londres a cabanas bucólicas cercadas por coloridos jardins. Sem falar nas floreiras cultivadas nas sacadas dos apartamentos, nas ruas e até nas paredes dos edifícios, numa modalidade chamada jardins verticais.
O costume da jardinagem inclusive chegou ao Brasil pelos ingleses, que depois da abertura dos portos à Inglaterra, passaram a habitar essas paragens. Compravam chácaras nos arredores da cidade do Rio de Janeiro e ali se dedicavam a essa terapia, hoje, recomendada até por médicos conhecedores de suas propriedades relaxantes e “desestressantes”.
Lembro-me dos jardins de minhas avós. Roseiras, arbustos e toda espécie de plantas, incluindo aquelas tidas como medicinais. Não possuíam planejamento, mas carregavam uma beleza singular, talvez por serem instintivos e cheios de cor.
Cultivar um jardim não é exclusivo desta ou daquela classe social, entretanto, nossa cultura não oferece muita importância a essa prática. Creio que herdamos dos portugueses certo comodismo e desleixo para com os espaços não construídos e áreas públicas. Enquanto os japoneses aproveitam cada centímetro de terra para cultivar vegetais, nós vemos o mato crescer e as pessoas descartarem lixo e todo o tipo de imundície naquilo que poderia ser uma acolhedora área verde.
Quantas e quantas residências habitadas são tomadas por ervas daninhas e algumas até por lixo, em áreas que se bem trabalhadas trariam beleza e aconchego. Para se ter um jardim bonito não é necessário dinheiro e sim disposição, para dedicar alguns minutos por dia na rega, no plantar, no cuidar.
Jardins nunca estiveram tão em moda, e ainda mais em tempos de aquecimento global. Onde só existe concreto e asfalto impermeabilizando o solo, tornam-se pontos para infiltração da água da chuva, o que reduz o impacto de enchentes, por exemplo. Absorvem menos calor do Sol, reduzindo os efeitos das ilhas de calor, também comum nos centros urbanos. Suas plantas auxiliam na absorção de gás carbônico além de reter alguns poluentes. Oferecem beleza à cidade e aconchego às residências. Diante de todos esses pontos a favor, por que não dedicar aquele pedaço de terra esquecido no quintal de casa algumas mudas de flores e árvores? Ou ainda, a área próxima ao córrego, ao terreno baldio do visinho, às áreas públicas esquecidas, mas presentes em nosso cotidiano. Em suma, hoje, cultivar um jardim não é apenas um hobbie. É um ato de civilidade.

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